sexta-feira, 18 de abril de 2008
Virus Caloteirus
O Vírus QTFSPN (Quer Tudo Feito Sem Pagar Nada) vulgarmente chamado de Vírus Caloteirus está a contaminar a nossa sociedade. O alerta é dado pelos DMP (Defensores da Moral Perdida). Inicialmente poucos eram os infectados com este vírus. Por não terem sido tomadas medidas na altura do seu aparecimento, em que os infectados se contavam pelos dedos das mãos, a infecção alastrou-se pela maioria da população adulta madeirense. Estudos científicos descobriram que é uma doença moral, por isso difícil de detectar a olho nu. Só quem entra em contacto directo com o vírus é que sente na pele as suas consequências. Algumas crianças já apresentam alguns sintomas desta "gripe" do Vírus Caloteirus QTFSPN. A epidemia está longe de ser controlada. A doença dificilmente tem cura porque a palavra arrependimento e justiça não constam no vocabulário dos infectados pelos Vírus Caloteirus QTFSPN. A vacina está a ser estudada por uma comissão constituída por membros da Secretaria Regional de Educação, do Ministério da Justiça, por membros de vários credos religiosos e por filósofos credenciados da sociedade madeirense. Destaca-se a presença do Ministério da Justiça nesta comissão visto que o combate a este vírus, socialmente perigoso e de consequências sociais imprevisíveis a médio e longo prazo, é de extrema importância, já que a legislação actual não prevê estas situações. Segundo o representante do Ministério da Justiça, Dr. Decidério Rapidoroso, existe uma lacuna legislativa sobre esta ilegalidade instalada. O vírus ataca por contágio daquilo que psicologicamente é designado por imitação/inveja (se ele consegue eu também, se ele tem eu também posso ter) Os sintomas são entre muitos outros: encomendar um móvel e não pagar, fazer obras em casa e não pagar; comprar na mercearia e não pagar. Portanto, o denominador comum desta "praga" é a decisão premeditada: Não pagar. Os especialistas garantem que o vírus já sofreu uma mutação, existindo já uma estirpe proliferada em que os sintomas se apresentam associados às promessas não cumpridas. O denominador comum dos sintomas desta nova estirpe é a intenção premeditada: não cumprir. A doença nas suas variantes resume-se a pedir serviços ou proferir promessas e não as pagar nem as cumprir. Utilizam a palavra como contrato com a intenção maliciosa de não cumprir o contrato verbal estabelecido. Ataca todas as classes sociais e o DMP alerta para o perigo de extinção do valor da Palavra. Consequências nas vítimas destes doentes: depressões; famílias com dificuldades financeiras; prostituição; penhoras; dificuldades em pagar a conta da luz, água, gás; ajuste de contas; agressões; homicídios; suicídios… Portanto, a todos aqueles que têm o poder e os meios para combater esta "epidemia" estejam atentos, muito atentos: actuem e não se deixem contagiar.
José Bernardino Gonçalves da Côrte
(Publicado no Diário de Notícias em 25 de Novembro de 2005)
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