Cidadãos comuns também passaram pelo areal para desfrutar de um merecido descanso após mais um ano de trabalho. Por lá passaram porque o areal é único, mas também porque a crise em nada ajuda, às famílias numerosas, a sair para outras paragens mais exóticas, e também porque o bicho da gripe A amedronta lá fora. O Zé de Lá, sua mulher e cinco filhos passaram 3 dias diferentes e inesquecíveis, para os filhos, num T1 emprestado por um primo afastado, é para estas coisas também que servem os primos afastados. Afastado era também o T1 do areal, meia hora para chegar deste àquele em passo acelerado, já que não levaram o escavacado renault 5 para assim poupar alguns euros e porque no renault 5 não cabe toda a família há já muito tempo. Lamentações à parte, o que importa destacar é que o Zé de Lá e sua família desenrascaram-se, a miudagem até gostou de andar a pé, de dormir no sofá e em colchões estendidos pelo chão. Pouparam na diária para folgar no orçamento de forma a jantar fora descansadamente, após entretidos dias no areal, nos três dias de férias. As contas falharam, 7 pessoas a jantar fora já não é o que era. Jantaram fora na primeira noite. Nas restantes duas noites o jantar foi fora sim senhor mas Prego no Pão da Avó. Os miúdos não perceberam lá muito bem o porquê da mudança de ementa, até gostaram.
Um outro zé, o Zé de cá, e sua companheira, mais abastados porque ainda não casaram e filhos não têm, passaram também pelo areal. Cinco dias de férias merecidas. Não levaram carro porque conseguiram um T0 perto do areal a preço corrente. Era ideia do Zé de Cá e da sua companheira não tocar em tachos e panelas nem lavar loiça. Férias são férias, almoçar e jantar fora descansadamente nos cinco dias com o dinheiro poupado com o não transporte do Fiat 127, que ainda anda por incrível que pareça, estava já planeado há meses. As contas para este zé também falharam, almoçaram e jantaram fora, como reis nos seus palácios, nos dois primeiros dias. Nos restantes dias almoçaram e jantaram, fora, mas, Prego no Pão da Avó.
Outros zés por lá passaram e gozaram as merecidas férias, cada qual à sua medida, apesar dos contratempos orçamentais que fizeram do Prego no Pão da Avó ser muito procurado. Para o ano talvez haja mais. As contas com certeza serão mais bem feitas. Mas, pela chuva e vento, de arroxear beiços e arrepiar cabelo, que apanharam e pelo excesso de Prego no Pão da Avó consumido, porque os últimos começaram a enfastiar, provavelmente as férias do próximo ano serão em casa, que também é bom, afinal temos uma pérola no atlântico.
JBCôrte
Publicado nas Cartas do Leitor do Diário de Notícias da Madeira em 01 de Outubro de 2009
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