quarta-feira, 19 de maio de 2010

Discoteca

Outro mundo neste mundo, esquecer o tempo que o relógio não pára, esquecer as chatices. Dançar ou apenas apreciar a descontração dos outros que nos descontrai. Beber se for preciso ou apenas para acompanhar. Não beber, porque não é o beber que interessa. Confraternizar quando não só. Quando só, desligar-se deste mundo, dançar num outro estando no mesmo lugar com outros. Esquecer novamente, se for preciso, o passado, o presente, o futuro. Prever, a excitação desperta a imaginação, a criatividade, projectos. Lembrar, chorar ao confidenciar. Se carente, engatar, procurar conversa mesmo inoportuna, mesmo imprudente . Embriagar-se até saltar, até ziguezaguear ou até cair. Aproveita, amanha a vida continua my friend!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Se fosse vivo, Che teria hoje 82 anos

Viraram as costas ao conforto. Deixaram para trás os louros da vitória. Trocaram os lençóis quentes por um leito incerto na floresta, um lar por um nomadismo entre trilhos abertos a catanada nas montanhas da Bolívia. Trocaram a comodidade por uma acção de guerrilha de escassas provisões, em que a fome, a sede, as doenças e feridas foram presença inevitável ao longo de quase um ano em território extenso e desconhecido. Passaram fome e sede por uma luta. Adoeceram no mato, o corpo sujeito à exigência e à privação acaba mais tarde ou mais cedo por ceder, e o discernimento turvar. Apesar das dificuldades, o inicial grupo de 48 guerrilheiros foi sobrevivendo até se desmembrar pela acção desgastante do tempo, da perseguição, pelas vidas que iam caindo em combate, pelas traições, pelo cerco. Sobreviveram enquanto foi possível. A união do grupo fez a força. Apesar das condições física e psicologicamente adversas, o grupo não abalou, levando a sua missão avante com determinação, na luta contra o que achavam ser um imperialismo que subjugava os mais fracos e lhes explorava os recursos. A aventura de uma revolução em continente latino-americano e consequente tomada do poder através da força das armas, acabou com a captura e execução do líder do grupo e da fuga, até território Chileno, dos últimos 5 guerrilheiros sobreviventes. A revolução da altura, para além da tomada do poder pela força das armas, era também a consciencialização da necessidade de mudança do contexto político/económico mundial. O revolucionário disponibilizava-se para lutar contra o que considerava ser um opressor, usurpador e manipulador império capitalista. No despertar dessa consciência nascia o revolucionário em qualquer parte do mundo que assumia a sua missão nessa luta. A morte em combate, dizem uns, ou execução sumária, dizem outros, do líder desse inicial grupo de 48 guerrilheiros em Outubro de 1967 em La Higuera, pôs fim ao percurso revolucionário do conhecido Che. Uns o idolatram, outros o odeiam. Uns vêm o seu legado ideológico como exemplo na luta pela autodeterminação de quem subjugado e explorado. Outros acusam-no de assassino e lembram os fuzilamentos e execuções sumárias nas percussões desde a Sierra Maestra até Havana e em La Cabanã, prisão que comandou. Seu nome aparece em "O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão". "Nódoas" que, ao gosto de uns, mancham a sua reputação que outros admiram. Uma opinião encontrada na blogosfera chega a sugerir que seja julgado, mesmo depois de morto, pelos crimes que cometeu. Há quem também o veja como um exemplo a seguir, como alguém que sonhava com um mundo mais justo.
Che, homem ou mito? Bom ou mau? Ou ambas. As novas gerações merecem saber a verdade. A história, passados hoje, 14 de Maio, oitenta e dois anos do seu nascimento, parece não ter respondido objectivamente a esta pergunta. O filme "CHE: Parte Um/O Argentino", de Steven Soderbergh, passou aqui por uma sala de cinema da cidade. O filme "CHE: Parte Dois/O Guerrilheiro", do mesmo realizador, não. Ficou assim metade da história para contar nas salas de cinema. A pouca afluência justificou a sua não exibição? Espero que sim. Não me passa pela cabeça, nem pela cabeça de ninguém, que tivesse sido o “lápis azul” o motivo da sua não exibição.