quarta-feira, 11 de agosto de 2010
O Piano Adormecido
Noite calma. Comodamente sentado e a saborear um Mambo, fixei o meu olhar num grande, bonito e brilhante piano preto, daqueles pianos a sério que mal cabem num normal quarto de dormir. Tinha três pedais, se é assim que se designam, e não consegui ver o seu teclado nem as engrenagens do seu interior, estava fechado. As teclas deveriam ser tentadoras para os que sabem e para os que não sabem tocar piano. Contemplava-o e parecia sair-me da imaginação uma tosca amostra de “La Valse d’Amélie”. O Piano estava adormecido, faltava-lhe o pulsar de uma alma para o acordar e lhe dar a merecida vida. Imagino o harmonioso e comovente som que dele sairia se dedos sábios, dessa alma que lha faltava, lhe acariciassem as teclas. Mas não, nada saía, estava ali sem nada dizer, adormecido. Continuei a contemplar o bonito piano no silêncio da imensa sala de lazer do hotel, onde estávamos quase sozinhos, enquanto o meu Mambo chagava ao fim. Fomos embora e não ouvi o que queria ouvir. A imensa sala continuou silenciosa. De que serve um bom piano se não tem uma alma para o inquietar?
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1 comentário:
nem sempre ouvimos quilo que queremos, mas um silencio mal ou bem interpretado faz-nos escutar o que vem de dentro.
há sempre uma nota por tocar, calar é morrer. E como diria o GRANDE Nietzsche: "Sem a música, a vida seria um erro"
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