quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Emigrante

Malas às costas. Raízes sem terra. Hoje aqui, amanhã não sei onde. O sol nasce todos os dias diferente. A incerteza é minha companheira. Meu vizinho não tem nome. Com muita sorte volto, com muito azar fico. Nasceu, nasceram, agora com sorte ficamos, com muito azar voltamos. A saudade aperta-me o coração, quero voltar, meu filho não, meu neto muito menos. Trocava o meu primeiro bilhete de partida por um atestado de residência de miséria ou por um passaporte para a guerra? Não sei, a saudade aperta-me o coração. Quem já vestiu a pele de um emigrante?

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