domingo, 14 de março de 2021


20 de fevereiro de 2021

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A velhice é um posto. Independentemente das insígnias levadas aos ombros - oficial, sargento ou praça, a velhice era, é e será um posto muito respeitado. Não foi preciso eu ir à tropa para aprender a respeitar os mais velhos. Esse respeito já o trazia de casa, da escola, do lidar diário com pessoas superiores em idade. Uma bofetada, um puxão de orelhas, um olhar severo eram suficientes para realinhar os desvios. Com alguma tristeza vou-me apercebendo de alguma insensibilidade e falta de paciência com os mais velhos. Buzinamos ao velhote que nos atrapalha a velocidade e a pressa na estrada. Irritamo-nos ao ter que repetir o que já dissemos duas, três vezes, porque os velhotes não ouviram bem. Depreciamos, desprezamos e até chegamos a zombar dos mais velhos por terem um feitio de outros tempos, por serem lentos, por serem desajeitados e não saberem fazer as coisas evoluídas do nosso tempo. A nossa soberba para com os velhotes cega-nos, limita-nos o alcance da compreensão da vida. Já me sinto estar no lado dos mais velhos, apercebo-me dessa ruim soberba que violenta a minha maneira muito própria de ser e de estar. Ao falar de mim falo pelos outros que se identificam com o que acabo de dizer. A velhice é um posto! Aos mais novos repito, oiçam bem: a velhice é um posto e não abdico dessa condição!